Como dar um boost no colágeno e garantir uma pele mais firme

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Costumamos associar o colágeno à firmeza da pele, mas esta proteína, uma das mais importantes que produzimos, está presente em vários tecidos: articulações, tendões, ossos, órgãos, cabelo, unhas… Já a partir dos 30 anos, a capacidade do organismo de fabricá-lo começa a diminuir, e essa queda se acentua após os 50 anos — com reflexos visíveis na pele. “A partir dessa fase, as fibras de colágeno se desorganizam, deixando a renovação celular irregular, o que faz com que a pele perca densidade, firmeza e hidratação. Há também uma queda na produção dos hormônios, que reforça o problema”, explica Karla Assed, dermatologista do Rio de Janeiro.

Não só produzimos menos colágeno como degradamos essa proteína com maior rapidez — daí a grande importância de um estilo de vida saudável para amenizar o problema. “A produção da substância sofre também influência do meio ambiente (radiação solar, poluição) e de hábitos como consumo de álcool e cigarro, estresse e uso de alguns medicamentos, que afetam negativamente a pele”, fala Nataniel Viuniski, médico nutrólogo de Nova Petrópolis (RS). 

Já uma boa noite de sono, exercícios físicos moderados, hidratação e, principalmente, uma dieta equilibrada, contam pontos positivos. Adquirimos a matéria-prima para produzir o colágeno por meio dos alimentos proteicos. “Durante a digestão, as proteínas que ingerimos são quebradas em pedaços menores, que se organizam em diversas cadeias de aminoácidos, que, por sua vez, formam novas proteínas, entre elas, o colágeno”, explica Jamar Tejada, farmacêutico de São Paulo, que acrescenta: “Para a boa produção de colágeno, a aposta são as proteínas magras, como carne, frango, peixe e ovo, principalmente, a clara”.

Além das proteínas, outros nutrientes são fundamentais nesse processo. “Para que haja uma síntese adequada da proteína, é necessário o sinergismo entre vitaminas e minerais como a vitamina C, vitamina E, betacaroteno, zinco, selênio, manganês, entre outros”, fala Anne Albano, nutricionista de Florianópolis. Essas substâncias são encontradas tanto nos vegetais (legumes, verduras, frutas, grãos, castanhas) como nos produtos de origem animal (ovos, laticínios, peixes, frango). Tendo como base um estilo de vida saudável, dá para contar com a ajuda extra — e significativa — de aliados como os suplementos de colágeno, os bioestimuladores injetáveis e os ativos tópicos. Conheça um pouco melhor esses recursos

Suplementação oral: a principal favorecida é a mulher 50+

“Ainda que não exista consenso científico sobre os benefícios da suplementação para a pele, a mulher acima de 50 anos parece ser a principal beneficiária da suplementação de colágeno hidrolisado, sobretudo as que têm dieta pobre em proteína”, afirma Abdo Salomão, dermatologista de São Paulo.  Mas a expectativa não deve ser exagerada. “Ao ingerir colágeno, as mulheres buscam ganhar firmeza, elasticidade e hidratação, mas os resultados podem frustrar quem espera demais”, pontua Ana Carolina Rocha, médica de Brasília referência em procedimentos estéticos. Segundo ela, uma meta-análise — ou seja, uma síntese de estudos científicos — feita no ano passado sobre colágeno oral mostrou menos resultado do que se esperava. “Ficou demonstrado que o colágeno oral melhora, sim, a firmeza, elasticidade e hidratação da pele, mas isso foi percebido microscopicamente. É difícil visualizar esses benefícios a olho nu”, fala a médica. Mas, por outro lado, o estudo comprovou que a suplementação protege contra a degradação de colágeno, o que não deixa de ser uma ótima notícia para a mulher 50+.

Não pode ser qualquer colágeno, porém. “Estudos comprovam que apenas alguns tipos de colágeno na forma hidrolisada são capazes de estimular as células humanas da pele (fibroblastos) a produzirem o colágeno natural, oferecendo benefícios como a melhora da hidratação e da elasticidade da pele, explica Nataniel Viuniski. Isso acontece porque, para ser assimilado e reagrupado em forma de proteína no nosso organismo, o colágeno precisa ser quebrado em pedacinhos nos laboratórios, processo conhecido como hidrólise.
O fato de o colágeno ser de origem animal representa um desafio para as veganas — para elas, existem suplementos com vitaminas e minerais escolhidos a dedo para que o colágeno seja produzido de maneira endógena. E, independentemente do tipo de dieta, a suplementação requer acompanhamento: deve ser individualizada, levando em consideração as necessidades e o estilo de vida das pacientes. “Além disso, o profissional deve estar atualizado e acompanhar os estudos feitos sobre o tema”, recomenda Ana Carolina Rocha.

Bioestimuladores injetáveis: aposta certeira para a firmeza da pele

Os bioestimuladores de colágeno são os atuais queridinhos dos consultórios dermatológicos. “O sucesso se deve ao resultado natural e progressivo desses produtos, que estimulam a produção natural do colágeno e promovem um efeito rejuvenescedor: a pele ganha firmeza, textura, brilho”, conta Jardis Volpe, dermatologista de São Paulo.  São substâncias biocompatíveis e biodegradáveis, que atuam também nos tratamentos corporais — é o caso da hidroxipatita de cálcio, do ácido polilático e da policaprolactona, injetáveis, e também dos fios para sustentação, que, além da tração para, funcionam como estimuladores de colágeno nos tratamentos antiflacidez.

Os bioestimuladores provocam uma leve reação inflamatória na derme, fazendo com que os nossos fibroblastos se ativem e produzam novas fibras colágenas, e essa ação acontece por até 12 meses após a aplicação. “O resultado, porém, não é igual para todas, pois depende da capacidade individual de produzir colágeno, que pode ser influenciada pela idade, tipo de pele e estilo de vida”, explica Andréia Fogaça, dermatologista de São Paulo.

Outros tratamentos que estimulam o colágeno são os lasers, os peelings e os microagulhamentos que atuam na camada mais profunda da pele, onde se alojam as fibras de sustentação mais densas. Há ainda os ativos pró-colágeno de aplicação tópica. A vitamina C é um dos mais consagrados. “Ela é essencial na construção do colágeno de alta qualidade e também protege essas fibras contra a degradação”, fala Claudia Coral, farmacêutica de Campinas (SP). Bioativos sintetizados a partir de vegetais (alcachofra, centeio, alfafa, arroz, soja) e flores (peônia, íris) e cogumelos, disponíveis em cosméticos ou para manipulação, também podem estimular o colágeno da pele.

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